Exposições

A Beleza do Tempo – Galeria Amparo60, Recife. 2019

O artista pernambucano, radicado em São Paulo, volta ao Recife para apresentar a exposição A beleza do tempo. Serão obras, algumas grandes e outras menores, que integram uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pelo artista há mais de oito anos, uma pesquisa sobre fotopinturas, uma técnica bastante utilizada no passado, mas praticamente extinta hoje. “Eu nasci no Recife, tenho essa vertente saudosista, trabalho muito com a memória. É algo que toca muito em mim, com a qual me identifico. Por isso fui tocado por essas fotopinturas”, explica. O primeiro contato do público com a mostra será o mural que o artista vai pintar no corredor da sobreloja do edifício Califórnia que dá acesso à Galeria Amparo 60, uma proposta em total diálogo com a trajetória de Derlon, desde sempre ligada à imagem gráfica. O início de sua carreira foi marcado pelas intervenções urbanas no Recife onde se dedicou, principalmente, à pintura muralista, já aliando o grafite às referências da cultura nordestina, da xilogravura.

Dentro da galeria, Derlon vai montar uma grande composição com obras de dimensão menores, colocando em diálogo fotopinturas e suas releituras delas. “Faço um jogo de imagens que desejam representar essa beleza, essa beleza do passado que não volta mais”, explica, destacando que optou pelo uso quase que exclusivo do preto e do branco nas pequenas obras que produziu para manter o tom saudosista e investir nos contrastes.

Na sala principal, a aposta de Derlon é em obras de maiores dimensões que formam conjuntos específicos, todos também em diálogo com as fotopinturas. Numa das obras, o artista faz referência a tradição nas casas de interior de dispor as fotopinturas de entes da família ao lado de imagens religiosas e de santos. “Em uma delas, faço uma alusão a essa questão religiosa e utilizo a folha de ouro para alguns detalhes. Em outra obra, adicionei um botão”, diz o artista, comentando que nos trabalhos exercitou outras técnicas. Nas obras em exposição, o artista trabalhou com acrílica sobre MDF e compensado, utilizando spray, estêncil e pincel.

O Reinado da Lua – Artur Fidalgo galeria, Rio de Janeiro. 2018

Nesta exposição, o diálogo entre o Sol, a Lua e a Terra é o mote da sua pesquisa criando um ambiente pictórico na relação desses três personagens tendo a Lua como protagonista. O resultado são obras bastante gráficas que misturam um pouco de astronomia com liberdade poética.
Dentro da galeria, 10 pinturas e uma pequena instalação farão a harmonia do espaço junto com um mural “pintura esboço” – todos os estudos e pesquisas que resultaram em diversos esboços e rascunhos sobre o tema serão refeitos na parede – assim o publico poderá ter acesso a riqueza da pesquisa do artista e entender melhor de como resultou as obras.
O especial fica por parte de uma grande instalação em parceria com a cenógrafa Gigi Barreto que abrigará a área externa da galeria.

Projeto Expográfico: Gigi Barreto

Ouro Branco – Artur Fidalgo galeria, Rio de Janeiro. 2014

Com curadoria do francês Paul Duboc e registros fotográficos do argentino Pablo Saborido, o artista apresenta o resultado de sua residência no interior do sertão cearense em março deste ano, com convite e apoio da marca francesa VERT.

Na sala principal da galeria, o público se depara com uma imagem em tamanho real da fachada de uma das casas localizadas no município de Choró, no sertão central cearense. O retrato da família que mora naquela casa está pintado na parede externa, imitando as xilogravuras típicas de literatura de cordel. Só que aqui os folhetos dessa história são os próprios muros brancos das casas, da igreja e da escola da comunidade. Para delinear as imagens, foi usado spray de tinta preta, pincel e rolo. O autor dessa história popular é o artista Derlon. Ele fez mais de 12 intervenções nas comunidades de Riacho do Meio, Tauá e Quixeramobim retratando o dia a dia das famílias que vivem na região. Ao usar de maneira original a iconografia regional, ele revela um pouco das questões locais, que vão da religião à conquista de terra, da família ao plantio de algodão. Outras oito pinturas em madeira feitas pelo artista e uma escultura completam o ambiente. 

No Armazém Fidalgo, mais uma imagem em tamanho real reproduz outra casa do vilarejo nos corredores do shopping de Copacabana. No lugar da janela, aparece a vitrine escancarada. Fica o convite para que espiemos o que acontece dentro dessa casinha nordestina. Lá, uma linha ou cordel segura um par de tênis amarrado pelo cadarço. O calçado, todo feito em algodão orgânico produzido pela comunidade, traz também a estampa do artista.